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Hasbro?

Setembro 8, 2008

Hasbro é um nome mundialmente famoso no que tange o mundo dos brinquedos – é dona do Banco Imobiliário, dos Transformers, dos GI Joe, do sr. Cabeça de Batata e recentemente retirou da Toy Biz, depois de uma década, a licença para produzir os personagens da Marvel Comics. Parece que isso só acpnteceu porque a Hasbro comprou a editora – mas eu nunca consegui confirmar isso.

Eu chiei, claro. As primeiras fornadas da Marvel Legends ficaram ainda piores, um desperdício de investimento – basta olhar o que fizeram com a Rainha Branca e com o Banshee. As embalagens ficaram mais bonitas, mas o conteúdo piorou. A Marvel Girl saiu com pele de duas cores, até – erro de principiante. Para os interessados, todos os bonecos já produzidos de Marvel Legends podem ser visto aqui.

Mas tudo tem seu outro lado. A Hasbro lançou o boneco de Cloverfield, que é um filmaço – do JJ Abrams, sr. Alias e Lost. O monstrengo ficou perfeito – enorme, com som e direito a parasitas. Será que dá para esperar um pouco de evolução, então?

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Ela não é tão assim, não

Setembro 7, 2008

Você certamente ouviu falar sobre o evento pop do ano a esta altura do campeonato. O show da cantora Madonna, marcado para dezembro no Brasil, em três apresentações divididas entre Rio de Janeiro e São Paulo, rivaliza ou supera o mata-mata vivido em 2006 quando da vinda da banda irlandesa U2. Congestionamento no site, filas assustadoras e telefones sempre ocupados quase me impediram de conseguir meu singelo ingresso – que só consegui, aliás, graças a ajuda de amigos.

Com um setlist já divulgado, começam as reclamações. “Mas eu queria mais coisas de Confessions!”, alguns dizem. O mesmo povo que sempre reclama que a Madonna deveria voltar a ser puta ignora completamente o fato de que o álbum mais claramente sexualizado dela – Erotica, lançado na época do livro Sex – foi simplesmente deixado de fora da lista de músicas.

Mas aí está um ponto importante: Madonna nunca foi tão puta assim. Sério. Pense comigo. Está bem que ela fez aquela performance no MTV Music Awards, escreveu o já citado Sex, beijou Aguilera e Britney e tudo o mais. Ela se diz um homem gay em um corpo de mulher e escreveu Physical Attraction e Erotica.  Existe aquela releitura de Like a Virgin no começo de Cães de Aluguel, mas, bom, isso é mais sobre ela do que dela, mesmo.

Qualquer pessoa que diga que a Madonna é uma puta, ignora seu histórico de singles. Peguemos as suas duas grandes coletâneas, Immaculate Collection e GHV2: Lucky Star, Borderline, Crazy For You, Into the Groove, Open Your Heart, Like a Prayer, Express Yourself, Cherish, Deeper and Deeper, Secret, The Power of Goodbye, Frozen, Take a Bow e Drowned World são músicas fortemente marcadas por uma veia romântica que, junto com o estilo dançante, caracterizam maior parte da obra da rainha do pop.

E a Madonna sempre solta alguma música sobre seus relacionamentos. Confirmadíssimo é que Till Death Do Us Part, de Like a Prayer, uma canção bem tensa sobre seu casamento com Sean Penn. E ainda na arena dos casamentos, tudo indica que Miles Away foi um desabafo sobre ela e Guy Ritchie. Assim como I Deserve It o foi, anos atrás.

Isso sem falar nos perrengues que Madonna passa com o pai. Ou passou. Todos se lembram de Papa Don´t Preach, mas as pessoas deixam de lado a dolorida Oh Father e a maravilhosa e autobiográfica Mother and Father.

Agora, quem está na comunidade analisa bem isso? Eu acho que não. Tudo bem que até eu me enjôo um pouco do ioga e da cabala e da criança roubada do terceiro mundo.

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Estranhos no Paraíso

Agosto 22, 2008

Obrigatório para fãs de HQs inteligentes, romances trabalhados graficamente e pessoas com pelo menos meio coração.

“If you’re leaving me
please don’t tell me.
You’re still pleasing me.
Do I fail you?
I will wonder today
If tomorrow you’ll stay.
I can hear your voice turn cold When you turn to me I know
I’m the one who won’t let go
Are you blaming me for holding on When you let me know It’s my last chance
And I know it’s gone.

If you’re leaving me
please don’t tell me.
You’re still pleasing me.
Do I fail you?
I will wonder today
If tomorrow you’ll stay.”

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Quanto mais se fala, menos se diz

Julho 22, 2008

Tenho tomado licença dos ambientes de conversa recentemente. Não sei se é praga ou inclinação ou cansaço, mas, sempre que possível, tenho me afastado de conversas – não que as evite, por completo. Gosto de conversar e sinto falta, sobretudo no dia a dia, de pessoas com quem dialogar e discutir.

Mas é verdade que, em um daqueles momentos, como que mudando o fluxo de sangue na cabeça, notei o quanto as pessoas falam, menos dizem. Vivemos em um mar de ruído, em que se pergunta de terceiros, comenta-se demais sobre os outros e, no fim, o motivo que sempre me pareceu real para o diálogo entre duas pessoas – o eu e o tu – se afogam completamente.

Então tomo o caminho daquele que analisa – me distancio, dois passos para trás, e vejo as pessoas conversando. E então o material sobre o que conversam! Não que eu me elenque entre aqueles que só fale das coisas mais relevantes para o desenvolvimento da humanidade, mas eu entendo bem o que há de necessário no silêncio. Ainda assim, eu fico olhando de soslaio quando as pessoas conversam.

- Escuta, e seu primo?
- ´Tá bem, casou agora.
- E sua tia, ficou como com isso?
- Ah, meu, sabe como ela é.
- Ah, ´tá. E aquele seu amigo, o que era do exército?

Nada. A conversa longa parece se esgotar numa troca de informações semi-relevantes, que não diz nada sobre o contato humano, e menos ainda sobre os gostos e reais interesses das pessoas.

E eu não tenho paciência para participar dessa dança superacelerada. Vai ver é muito Carl Honore.

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Genial ou estúpido?

Julho 14, 2008

As últimas semanas têm sido ocupadas em um misto de euforia e receio. Não por coisas de trabalho, mas pelo anúncio do lançamento de um jogo – Megaman 9.

Sou fã do robô azul da Capcom desde o começo da década de 90. Tenho memórias de comprar chicletes no shopping eldorado temáticos de Megaman 5 e caçar balas com adesivos e bonecos de uma só cor na Liberdade anos depois. Acompanhei a franquia se desdobrar e entrar no mundo dos portáteis com uma leitura pokémon do clássico e também o ingresso triste no mundo das aventuras 3D.

Para quem não conhece – Megaman começou na década de 80 como uma série de jogos de plataforma. Ao invés de você seguir linearmente por fases, você podia escolher qual fase você queria passar primeiro – ao final de cada uma, você enfrenta um robô e pega seu poder. O grande lance de Megaman sempre foi entender a fraqueza e resistência de cada um desses robôs. A série clássica conta com várias referências à música, tais como os irmãos Rock e Roll, o robô Blues, os mascotes Rush, Beat e Tango e os antagonistas Forte e Gospel.

Pois bem. Este ano vazou a notícia o lançamento de Megaman 9. Agora está mais do que confirmado – ele sairá este ano para Wii, XBox 360 e aparentemente Playstation 3 também. O que mais intriga não é a ressurreição depois de mais de uma década – o último jogo da franquia clássica foi Megaman & Bass, para Super Nintendo e GameBoy Advance – mas sim seu inusitado formato.

Primeiro – Megaman 9 não será vendido em prateleiras. Virá exclusivamente via download nos sistemas de rede da nova geração de console. Segundo – terá gráficos e sons de Nintendo. Exato – não Super Nintendo, nem Nintendo 64, mas sim do antigo 8-bits da empresa japonesa. Keiji Inafune, criador da série, diz que não consegue imaginar como retomar a série clássica sem esse ousado passo, e fãs de carteirinha, como eu, não podem deixar de concordar. Ainda assim, muita controvérsia tem sido gerada.

Para quem quiser conferir o primeiro trailer do produto final, segue o vídeo.

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Margerine

Julho 10, 2008

Spread yellow gunk on my pancake heart,
Country churned girl in my grocery cart.
I paid for her dreams, she taught me to cry,
Like watery knives, like rain from my eyes.
I can’t believe you’re not mine,
I can’t believe you’re not mine.
Margerine. Margerine. Margerine.
MARGERINE. MARGERINE.

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24 :)

Julho 4, 2008

See what happened to the girl
‘round the midnight
When she lost a crystal shoe
I don’t need no spell on me
Or bell to tell me
You better go, you better say goodbye

Doesn’t take that much for me
To feel alright now
And to knock, knock on your door
Maybe just a sip or two
Of a good espresso
And my nails painted two times or more

Too bad she gave it all away
When the magic’s gone astray, hey, hey
I never let it be
Whatever may come to me
When it turns to be twenty-four

Going up and down the stairs
As she used to
I’ve been searching for your face
In a pair of platform boots
I may stumble
Oh, what a pain, oh, what a shame on me

Too bad if I’m not fancy enough
But I’m so happy just for being so tough
I never hide away
Whatever may come my way
When it turns to be twenty four

Too bad she gave it all away
When the magic’s gone astray, hey, hey
I never let it be
Whatever may come to me
When it turns to be twenty-four

When it turns to be 24…
When it turns to be 24…
When it turns to be 24…

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Ela voltou

Junho 18, 2008

Por idos de 2005 ou 2006, rolavam boatos de que Alanis Morissette se tornara incapaz de criar qualquer coisa nova. Também pudera – depois de So-called Chaos, só entregara uma versão acústica do CD que a alavancara para o verdadeiro sucesso – Jagged Little Pill – e uma coletânea das melhores canções que acompanhava um cover da lendária Crazy do cantor Seal. Pior que isso, diziam que a tocha havia sido entregue à Avril Lavigne – como se a punk de butique fosse capaz de escrever metade do que a cantora canadense é.

Pois bem. A espera acabou. Alanis consegue sim escrever coisas novas e é justamente isso que ela faz em seu novo álbum, Flavors of Entanglement. Lançado em duas versões – uma com cinco faixas a mais – ele ainda é Alanis clássica. Você ainda vai sentir aquela angústia e raiva ouvindo Citizen of the Planet. Mais importante, você vai se lembrar muito da fase pós-Índia de Supposed Former Infatuation Junkie – especialmente quando cair na faixa Incomplete e a vir como uma espécie de releitura ou avanço de That I Would Be Good.

Mas não é só isso. Ela trouxe surpresas. Qualquer um acostumados aos violões e guitarras da canadense há de ter uma bela surpresa ao ouvir Straitjacket – que, em letra, é essencialmente Alanis, mais uma canção sobre um relacionamento doente. Mas trata-se de um arranjo extremamente atípico. Até mesmo The Guy Who Leaves contém certas cores musicais não propriamente exploradas antes.

É seguro dizer, entretanto, que a maior surpresa fica para a última faixa das bônus, On the tequila. Alanis entrega uma música alegre sobre uma reunião de amigas, nostalgia e, é claro, tequila. Impossível terminar esse CD de cabeça baixa. Para os fãs antigos – e para os novo, que certamente se deixarão fisgar por Underneath.

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The kids aren´t alright

Junho 17, 2008

Nem parece, mas já tem bem uma década que o Offspring foi para as paradas com essa música. Dez anos passados, eu fico um domingo inteiro debruçado em arquivos de Word, livros e sites na internet tentando me perguntar como estão as crianças mesmo.

A pesquisa acadêmica me levou a um patamar interessante. Seja por pesquisas em textos na Veja, livros do Don Tapscott ou textos sobre usabilidade, uma coisa é fato – eu não sabia, até então, o que era uma criança.

Na verdade, as aspirações são drasticamente diferentes do que eu imaginava. Embora eu mesmo já seja de uma geração que se criou com uma mídia muito mais participativa e interativa, não imaginava que o espaço dos meios de comunicação se dividisse com a família. Mais chocante ainda foi descobrir que as crianças hoje em dia preferem roupas de grife a brinquedos e que mais de 70% dos meninos de 7 a 11 anos de idade pensam em namorar já!

Certamente quando me refiro a uma criança interior, penso em algo que não corresponde à realidade cotidiana.

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A ditadura da liberdade

Junho 4, 2008

Tudo começou com uma folheada de um livro. Depois, evoluiu para a leitura de outro, sobre as transformações da intimidade na Modernidade (que, aliás, é uma excelente leitura – traz insight sobre como a liberdade sexual tem a ver com o uso de métodos anti-gravidez e conseqüente desvinculação de sexo e redução de expectativa de vida, e também sobre como o advento de se assumir a homossexualidade gerou a noção contemporâneo de relacionamentos sérios que não são validos por laços matrimoniais).

Caímos em um modelo de mundo diferente. Todos somos livres para fazermos o que quiseremos – everybody´s free to wear sunscreen! Verdade seja dita, são todos outros tempos. Matrimônio virou namoro que virou rolo que virou ficar que virou catar. A tecnologia agora permite, mais do que nunca, que façamos modificações em nossos corpos – novas cores de cabelo, mudanças grande de forma (e às vezes de sexo!) e apêndices biônicos. Escapamos ao atavismo biológico e ganhamos suposto pleno controle e livre arbítrio para fazermos o que bem entendemos com nossos corpos. Isso, é claro, dentro de toda aquela pressão pós-moderna para sermos diferentes e únicos – que, no fim das contas, invalida qualquer chance de ser especial e se destacar na multidão.

E aí exatamente em que começa o problema. Em acreditar que tudo o que se faz hoje em dia é cutting edge, novo e revigorante, como uma grande ruptura repentina na história humana e dos afetos. As pessoas falam de piercings e de raves ignorando adornos tribais e rituais xamânicos de arrebatamento – repetimos as mesmas coisas de novo e de novo, acreditando que essa tatuagem que marca um momento especial de nossa vida nos faz diferentes e especiais, mas é muito menos que cicatrizes em ritos de passagem africanos. Acabamos um pouco rasos nissos.

E a vida noturna?  Luzes, batidas e dança – pessoas exercitando a libido em cantos mais escuros, trocando saliva e às vezes um pouco mais, como se essa fosse a maior invenção humana. E a verdade é que isso é animal e básico, e que isso precede a cultura (ler Huizinga, aliás, me faz pensar se esse tipo de ação não é uma variável do jogo).

E tudo isso se torna elonqüentemente desatinado quando existe a cobrança: aceite. Participe. Tenha piercings e curta tatuagens, e também fique com dez pelo menos por ano – este é o manual de conduta das pessoas felizes. Exercite essa sua liberdade e será pleno – esquecendo, é claro, que o não-exercício desses direitos ou dessas regalias é também o exercício da liberdade.

Ninguém disse que o excesso de liberdade é uma boa coisa. Somos pressionados socialmente a usarmos dessa abertura e rechaçados se não o fizermos. Mas e se o caminho não for esse? Aceitar isso não indicaria que a vida dos monges e dos padres e dos ascetas seria triste e vazia? Sinceramente, vejo mais serenidade  plenitude em alguns destes do que em muitos dos que se agarram firmemente a essa onda de alterações e de possibilidades.

Antes que me apareçam com aríetes e tochas na porta de casa – não, não sou contra a casualidade e nem contra body modifications. De fato acredito no uso dessa liberdade e que hoje em dia só sai prejudicado disso quem for muito ingênuo ou azarado. Mas sou veemente quando o assunto é essa pressão para exercer e ingressar nesse mundo, quando, na verdade, a negação pode ser uma afirmação em si.