Se tem uma lição bem aprendida dos últimos anos, é o quão difícil é escrever.
Teve tempos em que eu alimentava um blog com primazia e velocidade. Um, dois posts por dia. Também sentava à frente do computador e vomitava alguma coisa – não poesia, coisa que eu acho meio adolescente e da qual realmente não gosto. Mas inspirado por anos de consumo de RPG, quadrinhos, anime e videogames, eu tinha minha própria hoste de personagens e situações delineadas. Quando eu não tinha muita vida social para me ocupar, eram eles que me faziam companhia e demandavam meu tempo.
Mas com a dissertação de mestrado – e algumas tentativas de escrever em formato de roteiro – eu comecei a entender o quanto era cansativo escrever. E os motivos se colocam uns em cima dos outros, como em cascata.
Primeiro, não basta falar, “vou escrever”, sentar e produzir. Boa parte do tempo que eu passei escrevendo, eu passei pensando naquilo que eu iria escrever – lembrando do realizado e pensando onde queria chegar. O que nos leva a um segundo ponto – você precisa ter alguma espécie de ângulo ou direção. Mesmo em um texto acadêmico e científico, se você não tem um norte crítico, não existe escrita real, apenas descrição. Claro que editores de texto e métodos diversos de brainstorming facilitaram um pouco a concepção da seqüência, mas isso não torna a dificuldade inexistente.
Não contente, talvez mais do que conhecer uma audiência, seja imperativo conhecer seu meio. Tenho idéias que ficam tão amplificadas pelo visual ou pelo interativo que não sei se elas jamais seriam as mesmas se escritas. Algumas possibilidades são melhor exploradas de acordo com seu meio de execução – não é algo tão simples quanto “o livro é bem melhor que o filme, sempre”. E não que eu ache que um meio não ensine nada a outro – afinal de contas, todo capítulo e cliffhanger de Astonishing X-Men do Whedon tinha uma qualidade televisiva que tornava a série de HQs quase obrigatória.
Ainda assim, acho que nenhuma dessas características torna escrever tão difícil quanto o fato disso demandar disciplina. Aliás, como a maior parte dos atos criativos da vida, você não simplesmente esbarra no produto final. Demora horas, dias, meses simplesmente para se ter uma peça digna de nota. Isso se descontarmos o tempo de treino para execução. No fim, a disciplina é uma das piores inimigas que eu tenho por ser desligado e por perder a concentração facilmente.
Writing is tough. Se fosse fácil, bom, talvez eu vivesse de forma diferente. Ainda assim, existe em mim uma centelha de esperança em fazer algo meu nesse sentido – talvez com parcerias. De qualquer forma, não seria nada para hoje. E por isso mesmo, me poupo de uma obrigação auto-imposta de produzir diariamente.