Posts de Fevereiro, 2009

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Os últimos shows

Fevereiro 6, 2009

É regra. Você não pode verdadeiramente apreciar uma banda e deixar de lado uma oportunidade real de vê-la ao vivo – a não ser, é claro, na chance de fazer algo maior ou na impossibilidade completa de arcar com um show. Shows, ao meu ver, chegaram a um patamar religioso – artistas constróem religiões estranhas do pós-moderno e nós as sustentamos com canções em uníssono, palmas e gritas como prece.  É como, se naquele espírito louco da pista e da multidão, encontrás

maroon5# Maroon 5
Uma noite de domingo em novembro, quando todos estavam de ressaca ou da Kylie Minogue ou do Planeta Terra, fui sozinho, pela primeira vez, a um show. E Maroon 5! Sim, eu sou fã de pop. E eu acho que, pop por pop, o Maroon 5 é uma banda capaz de entregar as canções mais pegajosas, doentias e viciantes – que pioraram, recentemente, com um CD deles remixado por nomes com o DJ Paul Oakenfold. De qualquer forma, por mais que eu goste das músicas, o show…  Decepcionou. Não que eles sejam ruins ao vivo – não que eu não tenha ficado arrepiado com o cover que eles fizeram de Wicked Game, do Chris Isaak – mas eu achei na postura da banda – e na 1h e pouco de show – um certo desrespeito pelos fãs que esperaram o que – acho – era a primeira vinda da banda ao Brasil. Foi tudo bem executado, bem legal, e o Adam Levine levou um belo tombo no palco (será que cair de bunda é moda entre as celebridades pop? Enfim) e, embora eu não tenha me arrependido, não foi o melhor show da minha vida. Mesmo.

duranduran# Duran Duran
Quando eu tinha meus oito, nove anos, a banda estourava com o Wedding Album e os hits Come Undone e Ordinary World. Mas era o começo dos anos noventa – outras idéias, outros timbres. Em novembro passado, para divulgar o último trabalho, Red Carpet Massacre, álbum que tem os dedos de Justin Timberlake e do Timbaland, o Via Funchal – de novo – recebeu um show excelente em que todos os hits clássicos da banda apareceram – Rio, Girls on Film, The Reflex, Come Undone, Save a Prayer, Hungry Like the Wolf e inclusive a minha favorita, The Chauffeur (completamente inesperada, diga-se de passagem – o coração quase saiu pela boca, e umas lágrimas pelos olhos). Duran Duran foi muito bom para revisitar meu final de infância e, com tanto tempo de carreira, maduro o suficiente para ensinar a ingressantes – como o Maroon 5 – como se faz um show decente, afinal de contas.

madonnadanca2# Madonna
Nunca antes pisara num estádio de futebol. Imagine, então, me deparar, dias antes do Natal, com o Morumbi – e pensar, “meu deus, venderam ingresso para tudo isso?” Sim. Venderam. Embora eu sempre tenha tratado Madonna em uma bolha, com uma leitura pessoal dela, é fato que ela é a maior artista pop da atualidade, e que eu estava no maior evento de música pop do ano de 2008 – quem sabe até mesmo da década, rivalizando apenas com a loucura que foi U2 dois anos antes. E eis os fatos – o show realmente é tudo isso. As coreografias são tudo isso. O figurino é tudo isso. Ela tem presença de palco. Ela canta e, como bem esperamos, desafina sim. Mas o mais incrível é a habilidade dela em trazer uma nova roupagem – nenhuma música para a turnê Sticky and Sweet é igual aos álbuns. Nem mesmo as faixas do trabalho que ela veio divulgar, Hard Candy – também tocado com Justin Timberlake e Timbaland, diga-se de passagem -, são iguais a ouvir o disco em casa. O show da turnê Sticky and Sweet prova que uma apresentação assim tem que ser viva, dinâmica, orgânica e bem pensada – e que, se apresentar releituras tão bombásticas quanto a de Like a Prayer, Human Nature, Hung Up e La Isla Bonita, torna a experiência ainda mais válida. Mesmo que suas pernas doam por dois dias depois do término do show. Pelo menos você terá visto a Rainha do Pop – título que, 25 anos depois, ela defende ainda, e com todo o mérito. E não é à toa, na minha atual situação, que eu tenha ficado com o espetáculo de cores, mastro e dança que foi Into the Groove.

alanis# Alanis Morissette
Nunca estive no Via Funchal tão cheio. Nunca estive num Via Funchal tão vivo. Decidir ver Alanis Morissette cantando foi decidir reviver todos aqueles anos sozinhos e complicados da adolescência, mas com finalmente a cabeça que me permitiria entender as letras de música e senti-las, uma a uma, na pele. E a mulher canta. E dança como se estivesse numa roda de terreiro.  Como havia perdido o show dela quando era mais novo – ainda não entendia a graça e a presença de um show – foi libertador ouvir todas aquelas músicas do Jagged Little Pill, um muito adequado início com The Couch (é errado achar que algumas músicas são para você?) e um encerramento com Thank U. Mas definitivamente as partes mais catárticas do show foi quando ela tocou All I Really Want e, mais que essa, quando ela cantou Tapes. Que é um retrato da minha vida. (Embora “retrato da minha vida” sempre me lembre Jamiroquai.)