2008 foi um ano complicado. Muitos artistas lançaram CDs novos e, sinceramente, a decepção foi grande. A mim, quase pareceu uma espécie de crise criativa, em que houve muita gente se esforçando para fazer coisas novas e, de qualquer maneira, pouquíssima coisa apeteceu. Ainda assim, algumas músicas merecem seu destaque. Elas marcaram um ano que foi bem corrido e concorrido para praticamente todo mundo que conheço.
# Tapes – Alanis Morissette
Ela está chegando ao Brasil com uma quantidade absurda de shows. Ressurgindo com o Flavors of Entanglement, Alanis escreveu uma música que fala ao coração de uma pessoa que já foi rejeitada e que não consegue seguir com a vida, abraçando essa mágoa do fim. Frases fortes como “I´m someone easy to leave, even easier to forget” e “I´m too exhausting to be loved” marcam a tradicional tendência depressiva da cantora canadense – que tenta animar os ouvintes mais tarde com Incomplete e On the Tequila.
# The Film Did Not Go ´Round – Nada Surf
Aquela bandinha que escreveu Popular, Always Love e Inside of Love reapareceu em 2008 com um novo álbum, Lucky. A última faixa do CD é uma música lenta, simples, em que a voz canta outro final de relacionamento daquela maneira indie e chorosa que só o Nada Surf alcança. A verdadeira patada da música é “Everyone’s gotta leave their love sometime, if not now, then at the end of your life-time”. Nenhum amor é eterno, afinal de contas. Deal with it.
# Black Burning Heart – Keane
Não vou mentir – na primeira ouvida, o álbum do Keane me deixou triste. Havia algo nele que dizia, “oi, mãe, eu quero ser hype”. Tudo bem. Depois de me isolar e ouvir melhor, me acostumei – sinto que perdeu um pouco do brilho do trabalho do trio nos dois primeiros CDs, mas eu posso conviver com isso. Por isso mesmo, Black Burning Heart, que é a que mais soa como Keane normal e bom de sempre, é a minha favorita.
# Love Don´t Live Here – Ladyhawke
“Todo mundo que é alguém está ouvindo”, me disse um amigo sobre Ladyhawke. O que esperar de uma mulher que usa o nome de um filme como nome artístico? Surpreendentemente, ela é boa. Muito boa. Pense em alguma coisa rock, alguma coisa electro, alguma coisa 80s, e um toque de Elastica – e você tem o trabalho da Ladyhawke. Ficou até difícil selecionar uma, mas Love Don´t Live Here é talvez uma das mais agressivas e evocativas partes do seu CD inicial. Chama a atenção quando ela canta, “Lonely hearts are always wanting more” e “But bleeding hearts have always known no law”.
# Voices – Madonna
Hard Candy foi criticadíssimo quando saiu. Tive um deja vu. Foi a mesma coisa com o Confessions, e o American Life, e o Music – a verdade é que pelo menos eu senti que dessa vez a Madonna havia se esforçado, assim como no arco que começou em Ray of Light e terminou em American Life, para tocar outros tipos de sons, outros ritmos. A última faixa do CD também fala de um relacionamento – mas pense em um relacionamento com uma pessoa instável. Voices é quase um hino pra quem namorou com alguém quem dizia que tinha problemas, e era isso: “You blew it so often, That you start to believe it, You have demons, So nobody can blame you, But who is the master and who is the slave?”
# Lovers in Japan (Acoustic Version) – Coldplay
Depois de X&Y, eu tinha todas as esperanças do mundo para um novo CD do Coldplay. Afinal de contas, eles haviam emplacado magistralmente três álbuns que me deixaram completamente viciado. Triste decepção. Viva La Vida foi meloso, repetitivo e uma verdadeira quebra na produção da banda. Boring. E tudo parecia perdido, até que o lado B – a versão acústica de Lovers in Japan – chegou a meus ouvidos. Chris Martin parece mais concentrado no vocal e o arranjo das cordas é bem mais agradável que na versão plugged. Se você ainda não ouviu, recomendo.
