h1

Holding out for a hero

Outubro 4, 2008

Desde que li o antológico Kavalier & Clay, eu me pego pensando freqüentemente sobre como criações aparentemente inocentes – como livros, quadrinhos e similares – na verdade são frutos de um momento histórico.

No caso, o berço dos comics se deu nas décadas de 30 e 40 nos EUA. Não surpreendentemente, havia muitos autores judeus – os próprios criadores do Superman o eram – e uma forte temática anti-nazista. Capitão América, Tocha Humana, Namor e até o Homem de Aço da DC Comics (que na época nem era DC Comics ainda) deram sua cota de socos no queixo de Hitler. Mesmo o personagem fictício de Chabon, o Escapista, o fazia com gosto e esmero.

Acho que houve um segundo momento, pós-Segunda Grande Guerra, em que o medo do atômico
predominou. No Japão, vemos bizarrices como o Godzilla aparecendo e se tornando icônicos. Nos EUA, enxergamos as criações de Stan Lee como diretamente ligadas a este medo da radiação – Homem-Aranha,  Hulk, Quarteto Fantástico e X-Men todos derivam de premissas extremamente parecidas. Diferentemente da monstruosa contraparte oriental, entretantos, os heróis da Marvel Comics tinham um quê de integração com a sociedade – salvo o Hulk que, como o Gojira, tinha um alinhamento duvidoso.

Hoje em dia não enxergo quais heróis seriam produzidos.

É fato que entre os anos 80 e 90 povoaram o imaginário os heróis imperfeitos. Um Homem de Ferro alcoolatra, e os heróis de animes e mangás perfeitamente incompletos, com um protagonista que quase sempre beira a completa imbecilidade (desculpem-me, Seiya, Goku e Naruto – mas vocês são dementes). Não enxergo, entretanto, temática neles que vá além disso – ser humano. Mesmo que esta variável possa ser enfadonha e má definida.

Mas, se há a caminho uma nova leva de heróis, o que os definiria?

3 comentários

  1. Qto ao tema do post, concordo em gênero, número e grau com vc. Mas tenho que discordar sobre a “imbecilidade” de personagens de animes como Goku ou Seyia. O que pega neles eh o fato inocência elevado ao extremo. Personagens extremamente poderosos, mas sem a minima noção de que seus poderes são um fator alienante e ameaçador. Acho que eles exprimem bem uma realidada totalmente “poderosa” de informação, mas confusa no que fazer qto a isso…

    bom blog!


  2. Na verdade, nós somos super-heróis ;)
    Bjo da sua amiga que toca oboé


  3. Só hoje vi que você mudou. Oh.



Deixe um comentário