Posts de Outubro, 2008

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4 cartoons bem Lado C

Outubro 24, 2008

Bom, eu cresci com muita televisão. Com a idade, o gosto vai se diversificando, adaptando e, enfim, os hábitos estão moldados. Com isso, nem tudo o que a gente zapeia vale os momentos de atenção – na última década, entretanto, desenvolvi um grupo seleto de cartoons favoritos. Nem vale citar os prediletos mais antigos, tais como Simpsons e Futurama. Mas existem quatro que todo mundo deveria ver.

# Castores Pirados
Uma corajosa combinação de esforços da MTV e da Nickelodeon de quase uma década era protagonizada por dois irmãos castores, Norbert e Daggett, que moravam em uma represa. Um, é claro, era um gênio e o mais cool dos cools; o segundo é um completo bobalhão todo desejeitado. Cheio de referências à cultura pop – como a banda sueca Babba e o urso cantor disco Barry -, os filmes B de terror de Oxnard Montalvo (saudosa produção de Ed Wood!) e inusitados participantes, como o cirurgião, cientista espacial e filantropo Toco (sim, ele é só um toco de madeira).
Imperdíveis: o capítulo do clonador, todos com o Coelhão e a obrigatoriedade da saga do Castor Musculoso (o alter-ego de Daggett).
No TV.com

# Sealab 2021
Sealab 2021 é um remix de um cartoon de 1972 chamado Sealab 2020. Basicamente, o Adult Swim pegou os principais quadros de animação do original e manipulou para criar as situações mais absurdas possíveis! Ele gira em torno de, bem, um laboratório submarino, com o capitão Hank – de cuja sanidade qualquer um deve duvidar – e de seus assistentes, especialmente o genial Dr. Joaquim, da (hmm) talentosa Débora. Na versão original, vale citar, um dos dubladores é ninguém mesmo que o infalível Erik Strada.
Imperdíveis: Curto Circuito é uma obra de arte!
No TV.com

# Aqua Teen
Um trio impagável de… er…. milk-shake, batata frita e almôndega que tem super aventuras… envolvendo… hmm… É. Então. Não dá pra entender muito bem o que acontece em Aqua Teen. Mestre Shake, Almôndega e Batatão vivem em uma casa de subúrbio e, na melhor das hipóteses, estão sempre a voltas com alienígenas, clonadores, poderes sobrenaturais, bonecos suicidas, monstros, crime, sexo, pornografia e todo tipo de coisa que aparece espontaneamente. A versão brasileira, com direção de dublagem do Guilherme Briggs, é impagável.
Imperdíveis:
os capítulos dos mortos (ônibus dos mortos-vivos, camiseta dos mortos, falando com os mortos) e, é claro, o do Larry de bem com a vida.
No TV.com

# Invasor Zim
Humanos nojentos que cheiram a pooooorco! Invasor Zim é uma macabra criação de Jhonen Vasquez para o canal Nickelodeon. O problema é justamente esse – Invasor Zim não é bem para crianças. O alienígena da raça Irken – em que a posição social é determinada pela altura – chamado Zim é exilado na Terra por seus superiores (sem que ele se dê conta: ele é mandado por eles numa “missão”), os Altíssimos, com um robô demente feito de lixo, chamado GIR. Ele logo se infiltra numa escola, e é desoberto por um garoto aspirante a detetive sobrenatural com uma cabeça enorme, chamado Dib, em quem ninguém presta atenção. Os planos sempre frustrados de Zim para dominação da Terra são ponto de começo para todos absurdos que acontecem no cartoon.
Imperdíveis: TODOS! Mas um destaque especial para o capítulo em que eles vão a um programa de televisão (Mistérios Misteriosos…), que consegue fazer qualquer um se contorcer de rir.
No TV.com

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Holding out for a hero

Outubro 4, 2008

Desde que li o antológico Kavalier & Clay, eu me pego pensando freqüentemente sobre como criações aparentemente inocentes – como livros, quadrinhos e similares – na verdade são frutos de um momento histórico.

No caso, o berço dos comics se deu nas décadas de 30 e 40 nos EUA. Não surpreendentemente, havia muitos autores judeus – os próprios criadores do Superman o eram – e uma forte temática anti-nazista. Capitão América, Tocha Humana, Namor e até o Homem de Aço da DC Comics (que na época nem era DC Comics ainda) deram sua cota de socos no queixo de Hitler. Mesmo o personagem fictício de Chabon, o Escapista, o fazia com gosto e esmero.

Acho que houve um segundo momento, pós-Segunda Grande Guerra, em que o medo do atômico
predominou. No Japão, vemos bizarrices como o Godzilla aparecendo e se tornando icônicos. Nos EUA, enxergamos as criações de Stan Lee como diretamente ligadas a este medo da radiação – Homem-Aranha,  Hulk, Quarteto Fantástico e X-Men todos derivam de premissas extremamente parecidas. Diferentemente da monstruosa contraparte oriental, entretantos, os heróis da Marvel Comics tinham um quê de integração com a sociedade – salvo o Hulk que, como o Gojira, tinha um alinhamento duvidoso.

Hoje em dia não enxergo quais heróis seriam produzidos.

É fato que entre os anos 80 e 90 povoaram o imaginário os heróis imperfeitos. Um Homem de Ferro alcoolatra, e os heróis de animes e mangás perfeitamente incompletos, com um protagonista que quase sempre beira a completa imbecilidade (desculpem-me, Seiya, Goku e Naruto – mas vocês são dementes). Não enxergo, entretanto, temática neles que vá além disso – ser humano. Mesmo que esta variável possa ser enfadonha e má definida.

Mas, se há a caminho uma nova leva de heróis, o que os definiria?