Tenho tomado licença dos ambientes de conversa recentemente. Não sei se é praga ou inclinação ou cansaço, mas, sempre que possível, tenho me afastado de conversas – não que as evite, por completo. Gosto de conversar e sinto falta, sobretudo no dia a dia, de pessoas com quem dialogar e discutir.
Mas é verdade que, em um daqueles momentos, como que mudando o fluxo de sangue na cabeça, notei o quanto as pessoas falam, menos dizem. Vivemos em um mar de ruído, em que se pergunta de terceiros, comenta-se demais sobre os outros e, no fim, o motivo que sempre me pareceu real para o diálogo entre duas pessoas – o eu e o tu – se afogam completamente.
Então tomo o caminho daquele que analisa – me distancio, dois passos para trás, e vejo as pessoas conversando. E então o material sobre o que conversam! Não que eu me elenque entre aqueles que só fale das coisas mais relevantes para o desenvolvimento da humanidade, mas eu entendo bem o que há de necessário no silêncio. Ainda assim, eu fico olhando de soslaio quando as pessoas conversam.
- Escuta, e seu primo?
- ´Tá bem, casou agora.
- E sua tia, ficou como com isso?
- Ah, meu, sabe como ela é.
- Ah, ´tá. E aquele seu amigo, o que era do exército?
Nada. A conversa longa parece se esgotar numa troca de informações semi-relevantes, que não diz nada sobre o contato humano, e menos ainda sobre os gostos e reais interesses das pessoas.
E eu não tenho paciência para participar dessa dança superacelerada. Vai ver é muito Carl Honore.


