
Heroes
Maio 9, 2008
Dois anos atrasado, mas ainda assim com certa propriedade, comecei a assistir a Heroes, série da emissora norte-americana NBC. É seguro dizer que não fiquei nem sem palavras, como muitos, e nem profundamente decepcionado. Acho que finalmente entendi o significado recente do uso simplório de “justo”.
A história poderia ser resumida assim – nos últimos anos, tem aparecido cada vez mais pessoas com habilidades especiais. São pessoas que representam características genéticas únicas, que as colocam como próximo passo na evolução. Com um eclipse solar, entretanto, mais e mais pessoas começam a manifestar seus poderes e vir à luz.
A história se desenrola em múltiplos locais. Nova Iorque, Chennai, Odessa, Las Vegas e Los Angeles se conectam por meio de viagens dos protagonistas. Os irmãos Petrelli se encontram com outros especiais na sua cidade natal e o caçula, Peter, viaja ao Texas. Nikki transita entre Nevada e California, e Matt vai até o Texas – também – em busca de respostas. Estudiosos abandonam a vida acadêmica na Índia para procurar soluções para suas dúvidas nos EUA com uma simplicidade banal, muito similar a de filhos de grandes empresários que abrem mão dos empregos para abordar sua missão. E tudo – indiferentemente – é uma questão de destino. O que se tem a fazer na vida.
O trunfo de Heroes, sem dúvida, é usar um pouco da linguagem dos quadrinhos. Também em HQs somos abordados por viagens instantâneas, histórias que se desenrolam com a permissão de, a qualquer momento, permitir que a narrativa ande para frente e para trás para explicar e avançar. Uma coisa meio Umberto Eco analisando as HQs da década de 40 e prevendo essa linguagem de temporalidade difusa.
Não vim dizer que Heroes é ruim. Afinal de contas, conta com um elenco relativamente famoso – você já conhecia algum deles de algum lugar, de Gilmore Girls a Dama na Água. E com a mão do Bryan Fuller, criador das queridíssimas Wonderfalls, Dead Like Me e Pushing Daisies, não havia como ser uma falha completa. Talvez seja uma das séries mais intrigantes dos últimos tempos, daquelas que não apela para sentimentalismos e romances como plano principal.
Mas é difícil se deixar arrebatar por Heroes com anos de quadrinhos nas costas. Não ao menos sem ser pela pura nostalgia. Porque, como o Hiro mesmo disse, ele só sabe de viagens do tempo porque ele leu isso em X-Men, quando a Kitty Pryde fez isso.